sábado, 18 de setembro de 2010

A nova amizade de Ju

Se no oriente faz sol, se oriente. Tanto faz de que lado do planeta o Sol esteja. Seus olhinhos puxados vão fechar e abrir quantas vezes ele se pôr. Porque na verdade, se houver verdade, seu sorriso vai se abrir como se abre uma caixa de brinquedos. E não importa de que lado se esteja. Estar do lado de Juliana é ver o tempo dizer tchau com o vento. E de pecinhas em pecinhas montar uma amizade como se monta um lego. Uma torre gigante. Algo que se remonta a cada sorriso e que não gasta com o passar do tempo. Se oriente...

domingo, 22 de agosto de 2010

Juliana Var!

Que olhos são esses que penetram a quem olha? E as sombracelhas que convidam e distraem dizendo que há por trás do convite alguém muito viva. E que traços são esses de menina e mulher? Se a curiosidade a aflora logo terás a convicção de que ela precisa ver, experimentar. Como quem assiste o cinema pela primeira vez ou observa fogos de atifício no céu. Como quem se desligou do mundo justamente pra dar atenção ao momento. Ao momento... Se parece brava aqui, ali é preciso menos de um sorriso e as horas correrão pra dizer que não é possível ficar alheio a Juliana. Ao seus olhos... Sorrisos... Como quem assiste o cinema pela primeira vez ou observa fogos de artifício no céu...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Saudades...

Ele sentia falta do samba. Da noite. Da madrugada. Da mulata. Da vida sofrida. Da estrada. Da batida do pandeiro. C a d e n c i a d a. Da leveza da voz. Sentia falta do sono que levemente lhe dava quando tocavam o seu rosto. Sentia da falta da fala. Da rua. Da pausa. Do cheiro de tantos perfumes. Da cerveja gelada. Sentia falta da vida. Da falta. Do violão que ninguém ouve. Das palavras que ninguém vê. Fácil entendê-lo. Sentia falta... Que o "da Viola" o perdoe. Sentia falta do samba... Sentia falta...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Belo Monte: choro de Ianê

Sobre os peixes que avistara nada tinha a declarar. As discussões que o possível desastre trouxera deixava claro que ninguém iria se entregar. Sabia que mais cedo ou mais tarde o "homem-branco" com todo seu poder faria esvair o seu quintal. E com toda sua covarde força faria extinguir a paz daqueles que pra maioria já estavam extintos. Os benefícios dessa terra valiam mais do que qualquer costume antiquado, flautas primitivas e meios de subsistência ultrapassados. Quanto tempo se passara desde que se ouviu as primeiras conversas sobre o desastre? Talvez fosse tarde demais pra pensar no que ambição do homem é capaz de fazer. Sobre os peixes que avistara nada tinha a declarar. Quem saberia o futuro deles? E no futuro não haveria boas novas e nem mais villas-boas¹. Novos paulistas não ajudariam Pokaimone² assistindo Pokemon. E o Brasil, um país de tantas tribos que não indígenas, se enchera de filhos preocupados com seu próprio drama, alienados com suas tv's. O rio ainda corria e sobre os peixes que avistara nada tinha a declarar. Pois a sentença já estava declarada e a lágrima tímida manchava as cores pintadas em seu rosto. Era mais do que Belo Monte. Era por seu índio que não iria se entregar que Ianê chorava...

(1).Alusão aos irmãos Villas-Boas, importantes personagens na preservação da cultura indígena e principais idealizadores do Parque Indígena do Xingu.
(2).Pokaimone: uma das aldeias localizadas na região do Xingu.

Referências:
http://impressoesamazonicas.wordpress.com/2010/04/30/nos-indigenas-do-xingu-nao-queremos-belo-monte/
http://racismoambiental.net.br/2010/07/belo-monte-e-o-risco-de-extincao-dos-peixes-do-xingu-entrevista-especial-com-paulo-buckup/ http://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Nacional_do_Xingu
http://pt.wikipedia.org/wiki/Irm%C3%A3os_Villas_B%C3%B4as
http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrel%C3%A9trica_de_Belo_Monte
http://racismoambiental.net.br/2009/12/comunicado-indigenas-xingu/

quinta-feira, 1 de julho de 2010

A viagem de Camila

Almofadas, travesseiros, malas e chuveiro. Nada mais é seu. Do momento em que acorda ao momento em que desliga, suas antenas guardam imagens que mais tarde virão sem pedir licença. Na consciência, um dever cumprido. Na mala, milhares de lembranças. Ao dormir, ursinhos, coelhos, serpentinas e balas. Guarda-chuvas, iô-iôs e milhares de fadas. Ao despertar, já nem sabe mais qual a cor do seu verdadeiro travesseiro que um dia a abraçou depois de um pesadelo. Na viagem de Camila não há mais espaços pro passado. E o futuro... Almofadas, travesseiros, malas e chuveiro.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O maior erro...

France é um personagem fictício e o maior erro dela foi se apaixonar.

Ela cometeu o maior erro que alguém poderia cometer... Debaixo daquela proteção onde a chuva não a atingia, France chorava porque pensava que perdia alguém. Na verdade, ela é quem estava perdida. Sozinha, embaixo daquela proteção onde a chuva não a atingia. Que graça teria a vida se a vida inteira pessoas não entrassem e saíssem por ela? Por mais infantil que fosse. Por mais egoísta esse momento era só dela. Porque os homens da sua vida eram tão infantis, tão insensíveis? Nem sabiam dançar... Há beleza até onde não se enxerga. Atrás desses olhos molhados existe uma grande mulher. E a beleza que hospedas vai além da intenção de qualquer homem. E falar em homem, é uma pena que todos dormiam enquanto France chorava debaixo da proteção onde a chuva não a atingia.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Olhos de Fabianne

message in a bottle: testo melhor lido com a canção original do filme "El Secreto de Sus Ojos" composta por Federico Jusid e gravada pela Orquestra Sinfônica Sofia - SIF 309 - Bulgária


Ele poderia falar dos rodeios que deu. Das pessoas que encontrou naquele dia. Dos sorrisos. Da música. Dos novos amigos que fez. Das certezas que levou. Poderia ter falado da entrada. Do gosto do dia. Do gosto da coca. Poderia falar sobre o futebol. Sobre a chuva e sobre os sonhos que provavelmente seriam só sonhos. Talvez poderia falar sobre política e quem sabe até sobre medicina. Mas não. Ao encostar naquela cadeira ele percebeu que os olhos falam muito mais coisas sem dizer uma palavra. Que ficassem quietos então! Ele poderia falar, falar e falar e falar... Para os olhos de Fabianne as palavras eram somente olhares...

sábado, 24 de abril de 2010

Trem de Adriana

Aos olhos que tudo viam, ainda um pouco escapava. Junte a esses olhos atentos, uma voz quase metálica e um sorriso que outrora chamamos de "armadilha" e teremos a plena manifestação da beleza feminina. Toda essa beleza quase perdia pra brincadeira que a Lua fazia com sua imagem no rio ao lado, mas bastava um sorriso e os vários e repetidos piscares de olhos que a Lua logo ficava para trás. Como as aparências realmente enganam Adriana não enganava que talvez estava ali pra relembrar como era um passado, quem sabe distante. Semelhante a uma viagem de trem, ela ia. Só que sem rumo... Admirando paisagens... Bem verdade é que pensou e quase desceu em duas ou três estações que ao menos lhe chamaram a atenção. O que ela não esperava, é que existem mais trens pra São Paulo do que se possa imaginar...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Havia Hívina

message in a bottle: texto melhor lido com a música Igloo de Karen O and The Kids


Mesmo que não houvesse doces e que o ambiente não fosse tão colorido. Mesmo que não houvesse neve pra brincar e não houvesse uma geladeira cheia de refrigerantes. Mesmo que não houvesse uma grama verde para deitar e um campo inteiro pra correr. E mesmo que, por alguma culpa do destino, não houvesse um mar de águas claras, ondas calmas e um coqueiro para fazer sombra, ainda sim... no fundo de uma imaginação ou no fundo daquele bar ela estava lá... Sempre pronta com um sorriso... E mesmo que não houvesse nenhuma das outras coisas... Havia Hívina.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Quando queremos sonhar...

message in a bottle: texto melhor lido com a música Food is still hot de Karen O and The Kids


Aqueles olhos pareciam ir tão longe que atravessavam a margem do rio. Evidente que eram um disfarce do seu mergulho em sua própria consciência. Pensar demais e não fazer nada é o significado de sonhar...
Quem vai saber de suas decisões?
Antes de se deitar seus olhos pareciam ir tão longe que atravessavam as ruas, os carros...
Ela, mais do que ninguém, deixava claro que os nossos olhos são disfarces quando queremos sonhar...