terça-feira, 30 de novembro de 2010

Que elas sejam boas...


message in a bottle: texto melhor lido com a música In the deep da Bird York.


Não... Ninguém precisa dizer o que ela terá que fazer. Ninguém precisa seguir seus passos e tentar consertar os erros. Ninguém precisa ficar acordado, preocupado ou pensativo. Mais do que caminhar com as próprias pernas algo a diz que ela pode voar. Ver o céu lá de cima e enxergar cada um. Agora, pode separar, escolher e trazer pra si só o que lhe fará bem. Pode levantar as mãos, apontar caminhos e ir em frente. Pode sentir os aromas, os olhares, os sorrisos... Estar livre... No fundo, ela sabe o que precisa... Sentir cada momento... E se lá no fundo, Renata precisar só de palavras... Que elas sejam boas...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O direito de Carla


message in a bottle: texto melhor lido com a música I'll back you up de Dave Matthews Band.


Por que ela sorria...? A cada palavra e a cada risada as três amigas construíam a maior amizade do mundo... Tantos mundos diferentes e tanta história pra contar. Já ouviu aquela que diz que amizade é ouvir a história do outro sem a pretensão de falar? E há tanto pra falar que se calar parece até tristeza... Já ouviu aquela outra história que se você contar, aquilo pode não acontecer? Sobre os olhares e a pergunta, Carla dizia com um sorriso olhando pro nada.
"Eu não divido... Eu não divido"
O momento era somente dela e não dividir era um direito. Afinal, o reflexo dos olhos detalhava a beleza de Carla pra todos os outros olhos que quisessem enxergar... Entre perguntas e respostas todos esqueceram que as palavras voariam... Mesmo sem vento elas voariam... No outro dia, a mínima lembrança que existisse era um grande motivo pra dividir...
"Por que você não escreve um livro?"

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Suelen atrás do mar

Entre o pampa e uma serra ela se escondia. Talvez da grande aventura da vida ou quem sabe do frio de Curitiba. Frio que ganhava suas mãos como uma luva. E devagar, bem devagar o vermelho tingia o seu rosto claro... Pra não restar dúvidas da sua timidez ela levemente sorria como quem quisesse dizer calma!

"Não devemos ter pressa pra nada"

Afinal, todos correm sem motivos. Naquele banco, enquanto chovia, ela pensava no regime, nas cores do céu e no tempo que passaria na praia. Suelen corria atrás do mar que não fugia e sem notar sonhava acordada... Esquecia frequentemente de lembrar da grande aventura que é a vida.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Quem é que não viu a Fee?


message in a bottle: texto melhor lido com a música Food is still hot de Karen O and the Kids.


Quem viu o céu e não notou as estrelas? Ou as ondas que faziam um barulinho bem ao fundo no horizonte. No fundo no fundo, todo mundo sabe que as garotas fazem o que bem entender. E sem querer, de um jeito doce encantam tudo ao redor. Mudam de cor o dia mais cinza sem pedir permissão. Experimentam as sensações mais surreais e voltam com o mesmo rosto de meninas que foram. Se tornam mulher, se pintam, bordam e te fazem pensar que tudo, no fundo no fundo se resolve com humor. Quem viu a alegria e não notou a Fee na verdade não viu nada. Seja no esmalte vermelho, no desenho na pele, no sorriso do rosto ou no gesto mais simples... Quem é que não viu a Fee?

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Kauana

Entre tantos aromas bons que saíam da conversa era o do cigarro que predominava no ambiente. A verdadeira beleza de Kauana ficava guardada para aqueles que com as palavras certas e no momento certo atrevessem a atravessar as barreiras do seu humor. E aí sim ver o que ela possuía de mais belo. No ar, bolas de sabão carregadas de ironias eram estouradas com alfinetadas daquilo que ela dizia ser "sarcasmo". Naquela noite ganhava quem soubesse melhor provocar o outro. Sabe aqueles dias em que achamos que tudo vai ser igual e... Difícil entender porque dois destinos tão distintos e ao mesmo tempo tão compatíveis vieram se encontrar. Algumas noites são inesquecíveis. Não dava pra saber se era o olhar, o sorriso, a voz "metálica" ou o sotaque que dificilmente se escondia. Alguma coisa em Kauana fazia com que o conjunto da obra ficasse na mente... Como o melhor perfume do mundo... Como algo inesquecível...

sábado, 18 de setembro de 2010

A nova amizade de Ju

Se no oriente faz sol, se oriente. Tanto faz de que lado do planeta o Sol esteja. Seus olhinhos puxados vão fechar e abrir quantas vezes ele se pôr. Porque na verdade, se houver verdade, seu sorriso vai se abrir como se abre uma caixa de brinquedos. E não importa de que lado se esteja. Estar do lado de Juliana é ver o tempo dizer tchau com o vento. E de pecinhas em pecinhas montar uma amizade como se monta um lego. Uma torre gigante. Algo que se remonta a cada sorriso e que não gasta com o passar do tempo. Se oriente...

domingo, 22 de agosto de 2010

Juliana Var!

Que olhos são esses que penetram a quem olha? E as sombracelhas que convidam e distraem dizendo que há por trás do convite alguém muito viva. E que traços são esses de menina e mulher? Se a curiosidade a aflora logo terás a convicção de que ela precisa ver, experimentar. Como quem assiste o cinema pela primeira vez ou observa fogos de atifício no céu. Como quem se desligou do mundo justamente pra dar atenção ao momento. Ao momento... Se parece brava aqui, ali é preciso menos de um sorriso e as horas correrão pra dizer que não é possível ficar alheio a Juliana. Ao seus olhos... Sorrisos... Como quem assiste o cinema pela primeira vez ou observa fogos de artifício no céu...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Saudades...

Ele sentia falta do samba. Da noite. Da madrugada. Da mulata. Da vida sofrida. Da estrada. Da batida do pandeiro. C a d e n c i a d a. Da leveza da voz. Sentia falta do sono que levemente lhe dava quando tocavam o seu rosto. Sentia da falta da fala. Da rua. Da pausa. Do cheiro de tantos perfumes. Da cerveja gelada. Sentia falta da vida. Da falta. Do violão que ninguém ouve. Das palavras que ninguém vê. Fácil entendê-lo. Sentia falta... Que o "da Viola" o perdoe. Sentia falta do samba... Sentia falta...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Belo Monte: choro de Ianê

Sobre os peixes que avistara nada tinha a declarar. As discussões que o possível desastre trouxera deixava claro que ninguém iria se entregar. Sabia que mais cedo ou mais tarde o "homem-branco" com todo seu poder faria esvair o seu quintal. E com toda sua covarde força faria extinguir a paz daqueles que pra maioria já estavam extintos. Os benefícios dessa terra valiam mais do que qualquer costume antiquado, flautas primitivas e meios de subsistência ultrapassados. Quanto tempo se passara desde que se ouviu as primeiras conversas sobre o desastre? Talvez fosse tarde demais pra pensar no que ambição do homem é capaz de fazer. Sobre os peixes que avistara nada tinha a declarar. Quem saberia o futuro deles? E no futuro não haveria boas novas e nem mais villas-boas¹. Novos paulistas não ajudariam Pokaimone² assistindo Pokemon. E o Brasil, um país de tantas tribos que não indígenas, se enchera de filhos preocupados com seu próprio drama, alienados com suas tv's. O rio ainda corria e sobre os peixes que avistara nada tinha a declarar. Pois a sentença já estava declarada e a lágrima tímida manchava as cores pintadas em seu rosto. Era mais do que Belo Monte. Era por seu índio que não iria se entregar que Ianê chorava...

(1).Alusão aos irmãos Villas-Boas, importantes personagens na preservação da cultura indígena e principais idealizadores do Parque Indígena do Xingu.
(2).Pokaimone: uma das aldeias localizadas na região do Xingu.

Referências:
http://impressoesamazonicas.wordpress.com/2010/04/30/nos-indigenas-do-xingu-nao-queremos-belo-monte/
http://racismoambiental.net.br/2010/07/belo-monte-e-o-risco-de-extincao-dos-peixes-do-xingu-entrevista-especial-com-paulo-buckup/ http://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Nacional_do_Xingu
http://pt.wikipedia.org/wiki/Irm%C3%A3os_Villas_B%C3%B4as
http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrel%C3%A9trica_de_Belo_Monte
http://racismoambiental.net.br/2009/12/comunicado-indigenas-xingu/

quinta-feira, 1 de julho de 2010

A viagem de Camila

Almofadas, travesseiros, malas e chuveiro. Nada mais é seu. Do momento em que acorda ao momento em que desliga, suas antenas guardam imagens que mais tarde virão sem pedir licença. Na consciência, um dever cumprido. Na mala, milhares de lembranças. Ao dormir, ursinhos, coelhos, serpentinas e balas. Guarda-chuvas, iô-iôs e milhares de fadas. Ao despertar, já nem sabe mais qual a cor do seu verdadeiro travesseiro que um dia a abraçou depois de um pesadelo. Na viagem de Camila não há mais espaços pro passado. E o futuro... Almofadas, travesseiros, malas e chuveiro.