domingo, 25 de outubro de 2009

Foi um prazer...

Prazer, eu sou assim...

No pressionar de um botão todo um ciclo começa. Milhares de canais modulam ondas eletromagnéticas emitidas por antenas em freqüências com milhões de ciclos por segundo de uma invisível que não se compara a qualquer pulsação humana.
Aliás, batimentos por segundo e impulsos elétricos se difundem quando por algum acaso do dia, ou por alguma probabilidade agradável essas ondas me procuram e me acham seja lá onde eu estiver.
E assim, meus sinais continuam atravessando casas, prédios, vão de uma ponta à outra em segundos. Em um piscar de olhos ativam 73 músculos que se contraem voluntariamente em busca de um sorriso. Então, numa explosão de alegria são milhões de músculos ao dia e milhões de emoções que atravessam quilômetros graças a uma boa nova presente em sua boa nova vida.
Passo dia levando informações aos mais variados locais e uno as mais variadas pessoas. Canto, toco, gravo, escrevo e quando você quer se desligar eu te desperto para mais um novo dia.
Faço papel de cupido, pombo-correio e aceito qualquer outro nome que me derem. Vim para quebrar barreiras, unir o que antes não se podia. Sou uma ponte que une o pensamento, a vontade e a realização.
Prazer, meu nome é celular. Um rádio para proporcionar algo que hoje se tornou indispensável: A comunicação. Com certeza, fomos apresentados antes e eu já te adianto. Foi um prazer enorme... Ops! Um momento...

- Alô Ma, é o Gui, tudo bem? Que saudades...

Onde eu estava...?
Ah sim! Posso te adiantar que foi mesmo um prazer enorme te conhecer...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Ponta do Seixas


Será que é isso mesmo que devemos esperar? E se um dia ele não vier? Sim, mas ele sempre vem. Diariamente, como se fosse dar uma volta. Uma volta completa, aliás. Afinal, é ele que nos observa. É ele que nos toca. E se ele não sabe porque viemos parar aqui, sabe ao menos pra onde vamos, porque sua tarefa diária que nos mantém. Um favor desses deixaria qualquer um louco em contentamento. Faça um elogio à alguém e quando ver aquele sorriso incontido escapando pelos lados entenderá qual o sentimento de um feitor de favores quando agradecido. Ao se levantar da rede sentiu uma leve brisa. Pensou por um momento em voltar mas já era tarde pra desitir. Se espreguiçou e pulou o pequeno muro que mais parecia uma divisa simbólica. Andou pela Rua das Jangadas pensando se não deveria pegar a dos Coqueiros e quando deu de encontro com a areia voltou a se perguntar. "E se um dia ele não vier?" Se perguntou mais pelo hábito de se perguntar qualquer coisa do que pelo medo de que isso um dia realmente aconteça. Talvez Ele goste da surpresa de ser recebido assim com o primeiro bom dia das Américas. - Bom dia Sol! O velho disse com um sorriso disfarçado que quase escapava pelos lados. Afinal, no final daquela ponta, já não custava nada uma ponta sua de gentileza.
Ponta do Seixas = ponto mais oriental da América

sábado, 15 de agosto de 2009

Boa noite, Samara!

Entre toques de tamborim ela sorria. Algumas vezes das besteiras que ouvia, outras pelo simples fato de estar feliz. A cor de mel de seus olhos fazia com que todos os olhos ao redor passassem desapercebidos e quando abria um sorriso trazia a perfeita combinação da beleza feminina. Alguma coisa em Samara era diferente de todas as outras e linhas e linhas não atingiriam a plena explicação da realidade. Às vezes ela até ensaiva um samba que pouco durava. Talvez fosse sua timidez inexplicável. Mas seja lá quem estivesse no palco a estrela da noite era uma só...
- Eu só bebo destilados - sorrisos.
Difícil entrar no mundo de Samara. Seu sorriso deixa a impressão de que é preciso sempre usar da simpatia... No final do samba, já em outro cenário, um abraço de boa noite...
O som do carro tinha o som do tamborim, mas nem de longe trazia o belo sorriso de Samara.

domingo, 9 de agosto de 2009

A velha novela

No seu copo a dentadura. Enquanto menina pensava em como faria da sua vida algo especial. Nada que as radionovelas não fizessem alimentar tais pensamentos. E assim ela ia. Vivendo uma vida que não era sua. Esquecendo do seu próprio drama, se confundindo com seus sonhos. Em uma tarde dessas em que não há nada pra se fazer ela descobrira um novo vício. Rever. E não é que a sensação era quase a mesma? Deitava e quando se dava por si já era quase noite. Nessas noites de calor ela sentia um cheiro que logo escapava. Lembrava festas de São João. Logo vinham músicas na lembrança. O mundo foi tão puro já! Mas isso era antes. Quando suas amigas não eram as velhas telenovelas...

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Na rua

Ele atravessa a rua desarmado. Pra isso levanta a camiseta mostrando que está só. Talvez nem queira disfarçar. Ele precisa causar impacto. Olha pro primeiro carro e diz:
- Tia, eu não sou ladrão não... O carro acelera. É a minha vez.
- Tio, vc tem algum trocado? Procuro. Acho R$ 0,50 no console. Entrego.
- Obrigado. Posso te pedir um favor?
- Pode... - digo desconfiado.
- Eu tenho uma filha, Giovana. Preciso chegar em casa esta noite com R$ 6,00. Só consegui isso - mostra a mão com poucas moedas - Será que vc não tem mais nada?
Procuro. Entrego mais duas moedas de 0,50.
- Obrigado.
O medo de um possível assalto passou. Talvez a possibilidade que ele tem de me assaltar e não querer, seja a mesma de eu poder ajudar e não fazer. Talvez nem exista Giovana. Quem pode saber?
Um outro dia, no mesmo farol, ele me pedia ajuda pra sua filha Ágatha...

sábado, 23 de maio de 2009

Juliana não falou quem era

Um lugar amplo. Muitas mesas, muitas gravatas e por mais que as vozes se confundissem no local era a dela a que mais possuía musicalidade. Seus feitos não eram os maiores do mundo, mas tudo o que contara parecia que tinha uma leveza, uma certa despreocupação de que tudo iria caminhar sempre bem. Despreocupação que de fato não existia. No entanto suas conquistas até ali mostravam que o que realmente somos fica do lado de dentro. Algo que não se mostra tão óbvio quanto parece. Apesar das pessoas se acharem tão importantes é na simplicidade que mais se perdem. Enquanto ouvia sua história, ora prestava atenção em seu sorriso e ora em seu olhar. E esse último parecia um lago que só quem realmente mergulhasse poderia encontrar algumas respostas. De repente, uma vida foi passando e formando uma bela mulher... A que hoje se apresentava, simples, em meio a tanta gente que se acha importante num restaurante em uma das ruas mais ricas de São Paulo. Mesmo assim ela poupou os detalhes. Na verdade, o que se queria mesmo era comprovar que velhas amizades se mantêm vivas independente do tempo.
Juliana não falou quem era... Nem precisava, pois seus olhos se encarregavam de tudo.

domingo, 3 de maio de 2009

"Menina" do Rio

message in a bottle: texto melhor lido com a música Falling Slowly de Glen Hansard e Marketa Irglova

Menina do Rio

Quando se demora muito pra encontrar alguém de novo algumas perguntas sempre são feitas. Como você está? E o trabalho? Etc... Mesmo que as respostas sejam as mesmas, e elas são, certas perguntas sempre são feitas. E foi assim até chegarem ao centro da maior cidade brasileira. Talvez até lá um estava menos interessado que outro nos assuntos que não lhe diziam respeito. Ele comentou de seus planos que eram vários pois alguns poderiam dar errado. E por ser motivo de risos ela o pediu que contasse sobre seus projetos.

Pra quê? Pra você rir deles?
Isso!

Eles chegaram até a Av. Ipiranga com a São João pra tentar ouvir a estrela solitária, conforme descreveu Caetano. Mas chegaram tarde a tempo de ouvir só duas músicas e não virem Marcelo Camelo se despedir. Eu não sei o motivo da distração da garota que, se estivesse aqui corrigiria garota para adulta, mas ele tinha seus motivos pra estar distraído. Pensava que se Caetano ou Camelo a vissem talvez tentassem escrever algo sobre a beleza daquele sorriso. No meio das avenidas mais famosas de São Paulo o que brilhava era uma "menina" do Rio que por alguma curiosidade aquariana ou pelo seu senso de justiça quis comparecer à virada cultural. Seria tão difícil explicar tudo. Seria como tentar explicar o ar de São Paulo. Seria como tentar explicar a sensação de um abraço da "menina" do Rio.
Quando se demora pra encontrar alguém de novo as promessas feitas não são cumpridas e aí fica aquela coisa de falar por falar.

Vamos marcar algum dia de...

Talvez um dia ele conte mesmo sobre seus planos. E talvez algum desses planos tenham a "menina" com participação ativa. E talvez esses planos são aqueles que ele considera que vão dar errado... rs... Talvez...
As coisas podem ser construídas aos poucos.

Porra Guilherme, eu sou uma mulher...

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Obs: seria mais engraçado um funk, mas eu ainda prefiro o meu texto... rsrs

Vc passa gingando, teu gesto não me grila
Sainha apertada, decotada é a Camila
No funk do meu lado, a mina é alto astral
Eu fico só pensando se ela pega...
Talvez no seja assim, tão fácil de dizer
A mina tá achando q eu não sou de proceder
Às vezes eu me arrisco, às vezes eu me iludo
mas se vc é a Coca, eu sou o seu canudo

terça-feira, 21 de abril de 2009

Foi o vento...

Foi o vento...
Foi ele que me fez ligar, me fez esperar, me fez aceitar e me fez arriscar. Naquela noite eu não pensava em muitas coisas, não tinha nenhuma pretensão. Quando eu fui perceber já não era a primeira noite. E em uma delas ela chorou. Se sentiu confortável pra contar sobre o seu drama. Sobre a sua vida, os seus problemas. E aí eu também já estava envolvido. Antes disso Bruna estava parada, seus cabelos voavam sobre a noite. Seu sorriso, que a muito não vinha, clareava, encantava, mas não me tirava o frio que batia inquieto, que antecipava o dia e confirmava a madrugada. Existia algo que agia nessa madrugada corroendo os metais e assobiando a cada curva de seu trajeto. Que trazia uma certa beleza na figura noturna de um velho trem abandonado. Na minha mente, entre todas as perguntas a que ressoava e que transbordava pensamentos era aquela que mostrava senão outra coisa a não ser a alma feminina. Ela já sem lágrimas me perguntava o porquê. No que eu insistia como se fosse uma fuga.
Foi o vento...

sábado, 18 de abril de 2009

Chicotes

Ele se perguntava, às vezes, por que? Ele via as pessoas se amontoando todos os dias enquanto o sol ameaçava ainda mostrar sua força. Pessoas indo atrás de coisas que certamente não queriam. Vivendo a vida que não sonharam. Alguns nem mais sonhavam. E ele se perguntava quem era o culpado? Quem tinha algo a ver com isso? Um abandono, um descaso. Seria uma pessoa ou seriam várias pessoas? Por que as coisas andaram por esse caminho? Enquanto homens chicoteavam outros na entrada do trem, uma senhora rezava. E chorava incomodando os muitos que estavam no vagão. Ele queria que tudo isso fosse uma mentira. Não se imaginava parte de nada. Nem de uma história. A única coisa que ele queria era entender o porquê de toda essa merda espalhada. No ápice do incidente a senhora deixou cair seu terço. Quando a porta abriu as pessoas enquanto saíam pisavam e chutavam o terço sem saber. Ao tocar na plataforma ele pisou no mesmo terço e o partiu em dois. Ele se perguntou agora se algum Deus tinha algo a ver com isso. Não imaginava que Deus pudesse ter decidido a decorrência da cena. Ele já não conseguia acreditar em mais nada. Somente em chicotes que estalavam no vagão.

domingo, 12 de abril de 2009

A cor da noite

Se eu tivesse que apostar apostaria no vermelho. Naquela noite a cor que prevaleceria seria a que captasse melhor o pensamento feminino. A música era o rock e as garotas cansaram do esmalte preto. Algumas ainda optavam pelo café só pra disfarçar a rebeldia. Mas era o vermelho que imperava nas mãos das mulheres. Era uma febre. Nos lábios de Talita o vermelho rescindia qualquer dúvida sobre a evidência da cor. Embora os lábios ficassem bem com qualquer cor que homem fosse capaz de criar. Essa predileção podia ter algo a ver com a Lua ou com um certo período diziam os leigos. Eu só assistia aquilo que era uma coincidência de cores. Mesmo assim foi possível notar as vozes espalhadas que completavam o local escuro. Um armagedon espalhava música sem saber das cores. Sem saber que alguém observava tudo. Sem saber que o vermelho era a cor da noite...