sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O que queria Adria?

Ainda dizem que o sorriso não tem luz própria. Não aquele... O que queria Adria? Talvez um olhar, uma conversa, um segredo, um nome... Algo que ficasse gravado em qualquer lugarzinho da mente e que aflorasse sem mais nem menos em qualquer outra hora do dia. Mesmo que o nome fosse difícil de se lembrar e que o segredo fosse só seu... E era! Será que Brasília estava preparada pra receber tamanha beleza e vivacidade? E Cabo Frio? A fala fácil de Adria mostrava que ela vivia como se tudo fosse uma experiência. Aproveitava o agora pra perguntar. Tinha um plano. Sabia o que queria. Olhava de lado... Se não fosse a imagem tão bonita passaria a ser algo que sobra, um exagero...
"Não está escuro pra você ler?"
Ao mudar sua posição de leitura, Adria conseguia uma posição estratégica. Talvez por coincidência ou talvez não. Em suas palavras tudo estava acertado. A decisão já estava tomada e ela divulgava baixinho... como se o segredo nem fosse tão segredo assim... Ninguém estava preparado. Nem Brasília, nem Cabo Frio e muito menos o rapaz do assento ao lado. E ainda dizem que sorriso não tem luz própria. Não aquele...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Carolina

Algo além do blues sopraria aos ouvidos naquela noite. Até então esse algo a mais era só uma voz diferente. A voz de Carol (assim gostava de ser chamada) era algo incompátivel com o que se via. A mulher madura e um pouco séria que parecia ter certeza do que queria, talvez até baseada pela sua experiência, tinha uma voz leve como de uma menina recém chegada a adolescência. No entanto não era a voz, nem as pintas no rosto e nem a possível beleza fácil de Carol que tiravam a atenção do observador.
Eram as palavras. Era aquilo que atravessa o ar e chegava aos ouvidos. Era o som da voz misturado com sorrisos que não deixava outra escolha a não ser se encantar com a simplicidade da cena e o impacto que lhe causava. O mais difícil era que Carol não deixava pistas do que pensava e aí o ato de encostar nos seus "cachos" pra ser ouvido era a única forma de fazê-la ter medo de uma possível reviravolta. Daquilo que não estava nos planos... Sabe aquelas coisas que não precisam ser provadas pra se ter certeza que é bom? Talvez algo deu errado ou certo demais naquela noite. Talvez a cantora esqueceu de dizer algo essencial. Algo que fizesse sentido... Algo além do blues que soprasse aos ouvidos e fizesse o mundo girar...

domingo, 24 de janeiro de 2010

O Vento e a Ana

Logo que chegou deu um beijo na mãe que se encontrava na cozinha. Colocou de leve a mão no cachorro e sabia das suas dívidas com ele, mas agora não era hora. Tinha pressa... Jogou os livros na cama, ligou o note, pegou o ipod e abriu a janela do quarto. Ana morava no quinto andar... Um sorriso quase que de mentira invadiu seu rosto. Ela sabia que ele estava lá. Saiu do quarto, colocou os fones no ouvido, passou pela sala, jogou um beijo de longe para o irmão e logo que viu que ele queria falar algo mas agora não era hora. Tinha pressa... Falou um tchau pra mãe sem ouvir a pergunta típica de mãe de "onde você vai". Fechou a porta, apertou o botão do elevador. Trinta segundos e nada... Tinha pressa. Usou o de serviço e foi até o último andar. Abriu a porta com força pois a força necessária para abri-la eram palavras escondidas de "não abra". Ao fechar a porta os cabelos de Ana ganhavam o ar. Ele estava lá... O Vento... Era o momento de esquecer tudo e só sentir o vento... Os ouvidos de Ana bem baixinho ouviam super furry animals... Mas seja lá qual som saísse daqueles fones era o vento a verdadeira estrela da noite...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O ensaio de Fernanda

Talvez ela nem soubesse, mas desde a primeira frase que falou - "take it easy" - ela estava sendo observada. Além de um sorriso lindo, cabelos cacheados e um leve conhecimento de cinema, Fernanda tinha sono. E além de sono, o que era melhor é que Fernanda tinha assunto. Se tinha ou não as características do signo de áries, isso realmente parecia algo quase inútil.
"Tu realmente acreditas nessas coisas?"
Vez ou outra ela olhava para a janela com os olhos de lado, como quem quisesse dizer: Ei, eu estou aqui, viu? Como se fosse fácil não perceber a delicadeza com que falava ao se referir ao nascer do sol.
"Que bonitinho"
E como se fosse fácil não se encantar com tamanha leveza e certeza das falas. Parecia que ela já tinha tudo ensaiado. Afinal, já não dava pra saber se era o português correto, o sorriso, o sono ou as perguntas sem respostas de Fernanda, que faziam com que as horas e as turbulências passassem alheios a atenção.
"Quem sabe eu não me identifico no seu blog?"

domingo, 10 de janeiro de 2010

O vento que fugia de Geisa

Dentre as coisas que Geisa sabia, era o rock que mais gostava de discutir. O tom da conversa era suportado por um conhecimento amplo sobre o assunto e o contexto histórico era palco pra dizer o que realmente cada banda representava. Enquanto o vento fugia da cidade Geisa distribuía sorrisos e caras que ora indicavam que o que se fala pode ser perigoso.
"Pede pra ele tomar cuidado com o que fala"
O lápis no olho, o regime da boca pra fora, o conhecimento sobre rock e o belo sorriso faziam com que se gastasse horas e horas de conversa pra esperar a imagem daquilo que seria um refrigerante para os olhos... Difícil entender porque mesmo assim o vento fugia e nem ao menos balançava os cabelos de Geisa...

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Alessandra estava "vacinada"...

Nem a velha timidez que carregava era o bastante pra se ter uma ideia do que Alessandra realmente era. Hoje, com a ajuda do tempo, se tornara muito mais acessível que antes e realmente se mostrava "vacinada", como ela mesmo explicava. Nem elogios eram verdadeiramente aceitos.
"Eu sou muito feia, obrigada"
No entanto, algo entres suas palavras deixavam uma mistura de "não me incomode" com "excelente" e aí era só pagar pra ver onde daria aquela conversa. O fato é que ninguém pagou e como quem se arrisca é quem leva a fama, Alessandra continuava a mesma de antes. A boa tímida menina que mais ouve do que fala e que espera que as pessoas se mostrem antes dela....
"Posso te fazer uma pergunta? O que tem no seu olho?"

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O que te faz feliz?

Ao descer da máquina ela olhou pros lados pra ter certeza que estava realmente tudo vazio. Como de costume foi até o banco que sempre lhe esperava nas noites de Natal, sentou-se, abriu sua cesta e tirou de lá um lanche, o qual dividiu com o cachorro que observava o ato. Era seu quarto Natal na mesma estação. Sem ninguém pra contar histórias começou a falar com o cachorro que afinal, pela gratidão, ouvia tudo como se fosse a voz da senhora uma música de ninar... Ao terminar, em um breve descuido a cesta caiu ao chão esparramando balas que mais tarde seriam distribuídas a meninos de rua... O cachorro cheirou todas sem comer nenhuma, o que despertou uma enorme vontade de rir na senhora... "O que te faz feliz, cachorro?" Era o quarto Natal na mesma estação, e o primeiro com risadas e ecos...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Novos escritores

Cada vez mais o blog toma a cara que tem que tomar. Um sorriso, um olhar, um simples gesto já é motivo pra novos textos... novas protagonistas... Abaixo um texto de um escritor que enxergou novas belezas e pediu que eu postasse o texto...
"O que fazer quando se sente algo por alguém que não se devia sentir? Pode ter sido só atração, só encanto, só uma pequena paixão ou até mesmo nem tanto. Pode ter sido só um olhar, ou outros mais, de cá e de lá, de canto, de perto, de trás. Aliás, que bela vista me traz... Cabelos negros, queimados com o sol litoral, molhados com a água de sal, cobrindo um rosto de cunho angelical. E esse, nada condizente com sua voz, aveludada como de uma cantora, limpa, forte e encantadora.
E depois desse tempo todo em minha mente me pergunto: O que se encontra atrás dessa pessoa? Uma menina risonha, uma jovem impossível ou uma mulher inesquecível. Sedução. Essa é minha descrição. Seja sem querer ou não, é sedução.
Esse fascínio não é proibido. É imoral e irracional, mas não proibido. Nada é proibido. O problema foi o tempo. Rápido demais. Se tivesse demorado, talvez tivesse até desencanado. Mas ficou a lembrança e o gosto de quero mais. E esse mais, é só pra olhar, e perceber por esse olhar, se é passageiro ou se irá guiar, por muito tempo ainda, a minha vida, minha memória, meu pensar. E mesmo agora, ainda me pergunto antes de partir: O que fazer quando se sente algo por alguém que não se devia sentir?"

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O melhor tchau do mundo!

"Vamos, quero te mostrar algo."
"Mostrar o que?" perguntava Gislainne...

Não era nada com a corrente com o nome. Era com os olhos... Esses miravam e acertavam qualquer um que os colocassem à prova. Qualquer um que os encarassem. E depois, qualquer palavra mal falada, qualquer puxada de "r" e qualquer besteira das mais inocentes era motivo pra maior armadilha do mundo: o sorriso...

Às vezes se calava tanto que o tanto dava margens para o pensamento ganhar força. E deixava a dúvida pairando no ar... Talvez não há mangueiras e nem rios que posssam esconder tamanho mistério quanto aqueles olhos... Ainda assim, com toda sintonia que escapava ao balanço do navio, foi difícil o acordo...

"O que você quer me mostrar?"
"O melhor tchau do mundo..." risos.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A solidão de Renata

Em meio a tanta gente ela estava só. Não aceitava nada. E não foi um, nem dois e nem três que tentaram sem sucesso sentar na cadeira vaga ao lado dela. Não aceitava nem ao menos a gentileza masculina de um rapaz que ofereceu pra acender seu cigarro. Enquanto sua amiga ia e vinha das várias idas ao banheiro, Renata ficava só. Parecia que buscava um momento só seu. Embaixo das estrelas que ninguém via no céu de Belém ela sentia o vento que ninguém sentia. Mal sabia ela que alguém observava tudo e que os detalhes daquela noite ficariam registrados... Mal sabia ela...
"Pra que você quer saber meu nome?"