domingo, 28 de março de 2010

Elas adoravam Bob's

Como aviões que atrasam são os textos encomendados. Se o Bob's falasse contaria os segredos das três que diziam adorar os lanches de lá. Curiosa opção ao levar em conta todas as redes de fast-food existentes. E quando soltavam risos pareciam mais falar pra si mesmas...
"Ei, somos amigas!"
Naquele dia, as paredes brancas do aeroporto se confundiam com o sorriso de Júlia, o vento com o jeito meigo de Michelle e a noite com os olhos de Patrícia.
Mais difícil que escrever é escolher sobre quem escrever. Os aviões atrasam mas, assim comos os textos, eles sempre chegam...

domingo, 21 de março de 2010

Fernanda tomava fanta

O mundo girava como um carrossel e ao som de qualquer banda Fernanda ensaiava passos tímidos de dança. Os lustres e os espelhos do local que prestavam mais atenção na cena do que na banda talvez nunca mais seriam os mesmos...
"Mas o que você vai escrever de mim?"
Aquilo que ninguém nota ou quase ninguém. Difícil explicar a beleza que se enxerga em um simples gole de fanta através de um canundinho movido aos passos tímidos de dança... Enquanto os pés de Fernanda doiam outros tantos cambaleavam... Todos estavam bêbados, e não importa o que ela tinha feito antes ou faria depois... Naquele momento, enquanto o mundo girava como um carrossel, Fernanda tomava fanta...

terça-feira, 16 de março de 2010

A distância de Lívia

Seria a distância, de fato, a melhor das melhores soluções. Enquanto falavam de uma revolta importante de outrora e que, por sinal, intitulaza o que ela era hoje e norteava os seus atos, algumas outras exigências serviam pra quebrar o clima e dar à vida aquilo que chamamos de sabor...
"O meu é com colarinho..."
"Fresca ela, não?" risos...
E se existisse alguma verdade do dia era que a cabana mais linda de Belém (ainda não há registros de outras parecidas) estava sentada na mesa se esforçando pra se render a fala fácil e descontraída do acompanhante. Segunda verdade e mais óbvia do que a primeira, é que um dia é da caça e outro do caçador. E se o mundo está mesmo ao contrário como dizem, o contrário pode parecer normal... Dessa vez, a fala assertiva da cabana tinha um tom da mais coerente sintaxe. Era preciso surpreender...
"Comment tu t'appelles?"
"Você quer me conquistar com essas cantadas?" risos...
Para evitar o inevitável seria a distância, de fato, a melhor das melhores soluções. Mas... se o mundo está ao contrário...

domingo, 7 de março de 2010

O passado de Marla

Se ele pudesse escolher preferiria não saber o passado de ninguém. Ainda tarde o Sol se escondia em cores, deixando um rastro do seu passado... Com uma leve vontade de ir e uma enorme de ficar... Olhar pra paisagem de um mirante acima de um rio e em contato com o vento faz qualquer um pensar no passado. E no futuro também. Esperar que algo mude na paisagem seria como esperar ganhos sem apostar. Os lábios cor de acaí de Marla faziam com que o batom estragasse o natural da cor. A voz delicada e ao mesmo tempo firme faziam com que não se negasse qualquer opinião ou ordem. Decidida, ela fazia com que tudo acontecesse baseado na sua vontade e não fosse essa tão certeira sentiria o amargo de ser contrariada.
"Como alguém pode escrever isso e não crer na humanidade?"
Ao ouvir a dúvida só pensava que se pudesse escolher preferiria não ser saber o passado de ninguém... E que ninguém soubesse o dele...

quarta-feira, 3 de março de 2010

Abra a porta...

Não sabia que o frio seria tanto ao descer daquele ônibus. A ruazinha de paralelepipedo indicava que a descida íngrime não seria o caminho mais prezeroso de se fazer. Mas chega uma hora que pequenas coisas são apenas pequenas coisas. As mesmas árvores, os mesmos portões... O mundo muda tão rápido sem dar conta que algumas coisas sempre permanecem iguais. Luiza desceu a rua determinada a fazer algo que nunca tinha feito, enfrentar quem nunca tinha enfrentado, desculpar aqueles que em sua cabeça não mereciam desculpas... Ao chegar no portão a menina sabia que aquele era um caminho sem volta e que dificilmente a perdoariam... Mas chega uma hora que pequenas coisas são apenas pequenas coisas e sorrir pode ser o caminho mais fácil pra abrir as difíceis portas...

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O que queria Adria?

Ainda dizem que o sorriso não tem luz própria. Não aquele... O que queria Adria? Talvez um olhar, uma conversa, um segredo, um nome... Algo que ficasse gravado em qualquer lugarzinho da mente e que aflorasse sem mais nem menos em qualquer outra hora do dia. Mesmo que o nome fosse difícil de se lembrar e que o segredo fosse só seu... E era! Será que Brasília estava preparada pra receber tamanha beleza e vivacidade? E Cabo Frio? A fala fácil de Adria mostrava que ela vivia como se tudo fosse uma experiência. Aproveitava o agora pra perguntar. Tinha um plano. Sabia o que queria. Olhava de lado... Se não fosse a imagem tão bonita passaria a ser algo que sobra, um exagero...
"Não está escuro pra você ler?"
Ao mudar sua posição de leitura, Adria conseguia uma posição estratégica. Talvez por coincidência ou talvez não. Em suas palavras tudo estava acertado. A decisão já estava tomada e ela divulgava baixinho... como se o segredo nem fosse tão segredo assim... Ninguém estava preparado. Nem Brasília, nem Cabo Frio e muito menos o rapaz do assento ao lado. E ainda dizem que sorriso não tem luz própria. Não aquele...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Carolina

Algo além do blues sopraria aos ouvidos naquela noite. Até então esse algo a mais era só uma voz diferente. A voz de Carol (assim gostava de ser chamada) era algo incompátivel com o que se via. A mulher madura e um pouco séria que parecia ter certeza do que queria, talvez até baseada pela sua experiência, tinha uma voz leve como de uma menina recém chegada a adolescência. No entanto não era a voz, nem as pintas no rosto e nem a possível beleza fácil de Carol que tiravam a atenção do observador.
Eram as palavras. Era aquilo que atravessa o ar e chegava aos ouvidos. Era o som da voz misturado com sorrisos que não deixava outra escolha a não ser se encantar com a simplicidade da cena e o impacto que lhe causava. O mais difícil era que Carol não deixava pistas do que pensava e aí o ato de encostar nos seus "cachos" pra ser ouvido era a única forma de fazê-la ter medo de uma possível reviravolta. Daquilo que não estava nos planos... Sabe aquelas coisas que não precisam ser provadas pra se ter certeza que é bom? Talvez algo deu errado ou certo demais naquela noite. Talvez a cantora esqueceu de dizer algo essencial. Algo que fizesse sentido... Algo além do blues que soprasse aos ouvidos e fizesse o mundo girar...

domingo, 24 de janeiro de 2010

O Vento e a Ana

Logo que chegou deu um beijo na mãe que se encontrava na cozinha. Colocou de leve a mão no cachorro e sabia das suas dívidas com ele, mas agora não era hora. Tinha pressa... Jogou os livros na cama, ligou o note, pegou o ipod e abriu a janela do quarto. Ana morava no quinto andar... Um sorriso quase que de mentira invadiu seu rosto. Ela sabia que ele estava lá. Saiu do quarto, colocou os fones no ouvido, passou pela sala, jogou um beijo de longe para o irmão e logo que viu que ele queria falar algo mas agora não era hora. Tinha pressa... Falou um tchau pra mãe sem ouvir a pergunta típica de mãe de "onde você vai". Fechou a porta, apertou o botão do elevador. Trinta segundos e nada... Tinha pressa. Usou o de serviço e foi até o último andar. Abriu a porta com força pois a força necessária para abri-la eram palavras escondidas de "não abra". Ao fechar a porta os cabelos de Ana ganhavam o ar. Ele estava lá... O Vento... Era o momento de esquecer tudo e só sentir o vento... Os ouvidos de Ana bem baixinho ouviam super furry animals... Mas seja lá qual som saísse daqueles fones era o vento a verdadeira estrela da noite...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O ensaio de Fernanda

Talvez ela nem soubesse, mas desde a primeira frase que falou - "take it easy" - ela estava sendo observada. Além de um sorriso lindo, cabelos cacheados e um leve conhecimento de cinema, Fernanda tinha sono. E além de sono, o que era melhor é que Fernanda tinha assunto. Se tinha ou não as características do signo de áries, isso realmente parecia algo quase inútil.
"Tu realmente acreditas nessas coisas?"
Vez ou outra ela olhava para a janela com os olhos de lado, como quem quisesse dizer: Ei, eu estou aqui, viu? Como se fosse fácil não perceber a delicadeza com que falava ao se referir ao nascer do sol.
"Que bonitinho"
E como se fosse fácil não se encantar com tamanha leveza e certeza das falas. Parecia que ela já tinha tudo ensaiado. Afinal, já não dava pra saber se era o português correto, o sorriso, o sono ou as perguntas sem respostas de Fernanda, que faziam com que as horas e as turbulências passassem alheios a atenção.
"Quem sabe eu não me identifico no seu blog?"

domingo, 10 de janeiro de 2010

O vento que fugia de Geisa

Dentre as coisas que Geisa sabia, era o rock que mais gostava de discutir. O tom da conversa era suportado por um conhecimento amplo sobre o assunto e o contexto histórico era palco pra dizer o que realmente cada banda representava. Enquanto o vento fugia da cidade Geisa distribuía sorrisos e caras que ora indicavam que o que se fala pode ser perigoso.
"Pede pra ele tomar cuidado com o que fala"
O lápis no olho, o regime da boca pra fora, o conhecimento sobre rock e o belo sorriso faziam com que se gastasse horas e horas de conversa pra esperar a imagem daquilo que seria um refrigerante para os olhos... Difícil entender porque mesmo assim o vento fugia e nem ao menos balançava os cabelos de Geisa...